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Daniel Araujo, Economista
Daniel Araujo
Comentário · há 5 anos
completando a nota anterior:

3. Para coibir o abuso, tolhe-se o uso. As tragédias alcoólicas de que temos tomado conhecimento têm ocorrido com indivíduos bem mais alcoolizados do que os 0,05 mg. Há 2 fatores altamente agravantes para a sociedade:
a. fiscalização falha, não identificando preventivamente os alcoolizados, especialmente nas décadas antes da "lei seca", mas mesmo depois;
b. falta de consequências rápidas e efetivas sobre os infratores, mesmo após terem causado tragédias.
A omissão e inefetividade das autoridades de trânsito e do Judiciário fazem com que os casos graves pareçam (e são) impunes. Ao invés de corrigir a omissão e inefetividade, faz-se o mais fácil e preguiçoso: apertam-se os critérios da lei e as punições nominais.

4. Há um livro clássico "Como Mentir com Estatísticas" muito apropriado para a análise de acidentes de trânsito. Se uma via permite uma velocidade de 60 mas um técnico ou político resolveu limitar a 40 e algum veículo a 50 participar de um acidente, a causa mais fácil de apontar será "excesso de velocidade". Poderá haver uma série de causas mais determinantes como o estado da via, a imprudência de outros envolvidos, etc., mas a classificação acabará sendo excesso de velocidade. Da mesma forma, se o motorista envolvido tiver 0,05 mg de álcool medido no sangue, também a classificação mais fácil será embiraguez. Essa falta de rigor de análise e classificação resulta nas bem conhecidas conclusões do tipo "60% dos acidentes são devidos a velocidade excessiva" ou "devidos a embriaguez ao volante".
Para um Estado preguiçoso, nada mais conveniente do que insistir em que a culpa é sempre dos cidadãos, justificando limites de velocidade irrealistas e critérios draconianos em outros aspectos. Dane-se o cidadão e releve-se a incompetência do Estado. Como exemplo gritante, verifiquem-se os limites de velocidade na nova rodovia Tamoios. Trechos com pistas separadas, curvas suaves em aclive, com limite de 30km/h. Uma restrição desnecessária ao cidadão e um paraíso para multas.

Apenas para ponderar.
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